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23/09/2016

Perseverar e passar a tocha do testemunho de Jesus

Importante mensagem para nossos dias, ministrada por Stephen Kaung, um ancião já com seus 101 anos, abordando a necessidade daqueles que são mais maduros no Senhor, não só que eles mesmos sejam fiéis em levarem a tocha do testemunho de Jesus, mas também possam passá-la para a geração mais jovem a fim de que este testemunho seja mantido até que o Senhor volte. Para isso, nesta mensagem o irmão Kaung usa o exemplo do apóstolo Paulo, de como ele se relacionou com Timóteo, Tito, e Epafras a fim de passar a tocha do testemunho à geração seguinte.

Confira esta mensagem no vídeo abaixo:






Este sermão foi traduzido e legendado em português pela equipe Esquina de Comunhão. Basta ativar a legenda no youtube. Caso deseje obter o texto da mensagem, na descrição do vídeo há o link para fazer o download do aquivo em pdf.

Que o Senhor o fortaleça na sua carreira cristã a permanecer fiel e também no devido tempo poder passar a tocha do testemunho de Jesus às geraçoes mais novas.

NEle,


BP



30/03/2008

O reino dos céus é tomado por esforço - Parte 3

“...o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. (Mateus 11:12)

Caríssimos:

Concluindo nossas reflexões sobre "o reino dos céus é tomado por esforço" eu gostaria de dar alguns exemplos da Palavra do Senhor, apenas como indicações, de algumas coisas em que podemos nos esforçar. Entretanto, cada um pode ir diante do Senhor, e descobrir em que área ou em quais situações você percebe que Deus quer que você se esforce, que você faça violência a si mesmo e se apodere da realidade do reino dos céus. Eu darei alguns exemplos que estão na Palavra de Deus usando a versão Almeida, revista e atualizada. São alguns exemplos de pessoas que se esforçaram. Em alguns casos é utilizada a mesma palavra no grego para o verbo "esforçar" de Mateus 11:12.

Os três primeiros exemplos estão relacionados à vida. Os outros quatro ao nosso serviço ao Senhor.


1) Esforçar-se por ter sempre uma consciência pura diante de Deus e dos homens

O primeiro exemplo vem de Paulo. Ele diz assim:

“Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens”. (At 24:16)

O apóstolo Paulo está dizendo que ele se esforçava sempre para ter uma consciência pura diante de Deus, mas não só diante de Deus, também diante dos homens.

Podemos achar que isso é muito simples. Entretanto, não é tão simples cumprir isso. Requer violência em nós mesmos. Requer um esforço de nossa parte, não no braço da nossa carne como já mencionei, mas na força e no poder do Espírito de Deus em nós, como Paulo nos lembrou que é, “segundo a Sua eficácia que opera em mim”. E é interessante que a Palavra nos diz que Paulo se esforçava para ter essa consciência pura diante não só diante de Deus, mas diante dos homens. E vejam, não está falando diante dos irmãos, mas diante dos homens, diante de todas as pessoas.

Há muitos problemas de relacionamentos que experimentamos com as pessoas e assim não temos uma consciência pura diante delas. Quantas vezes nós as ofendemos e não tratamos aquela ofensa, e a nossa consciência fica manchada, a nossa relação com aquela pessoa rompe-se. Quantas vezes temos visto a comunhão entre os irmãos em Cristo ser rompida porque as suas consciências estão manchadas. Quantas vezes falamos alguma coisa que ofendeu a alguém, cristão ou não cristão, mas não temos uma consciência pura para com aquela pessoa nem nos esforçamos para isso, e o nosso testemunho para com aquela pessoa, se for incrédula, fica muito comprometido.

Eu me lembro de um fato muito interessante que me ocorreu: Muitos anos atrás, na cidade onde eu moro, os irmãos de várias denominações, realizaram um trabalho ao ar livre e convidaram alguns pastores e líderes das assembléias da cidade para cooperarem naquele evento e coube a mim orar para o início do mesmo. E assim fiz. Subi no carro de som (um daqueles caminhões enormes com um pesado equipamento de som) que estava perto da praia, e publicamente orei. Mas depois que terminou o evento encontrei ali com uma pessoa conhecida, um rapaz, e ele me disse: “Que bom que eu encontrei você aqui!” Eu respondi, “Que bom ver você aqui também!” E logo perguntei: “Você também é um cristão”? Ele respondeu: “Sou, sou um cristão”. E foi-se embora. Passou-se um tempo e um dia ele apareceu na minha sala de trabalho (ele trabalhava na mesma área que eu). Chegou todo sem jeito, e me disse: “Gostaria de falar uma coisa com você: naquele dia você me perguntou se eu era um cristão, e eu disse que sim, mas eu queria dizer pra você que eu não sou, eu não falei a verdade com você”. Ele veio arrependido, sem graça, emocionalmente tocado. Ele estava falando e as suas palavras eram um pouco trêmulas. Nunca esquecerei essa cena! Um incrédulo que não tem o Senhor se esforçou para ter uma consciência pura para comigo. Muito mais nós, que temos o Senhor, deveríamos nos esforçar.

A nossa consciência, às vezes, não é pura para com o nosso cônjuge, nossos filhos ou nossos irmãos em Cristo. Falhamos muitas vezes. Paulo está dizendo: “... eu me esforço”. Ele tinha uma atitude de cooperação com Deus. Podemos dar graças ao Senhor porque diz a Palavra que o sangue de Jesus limpa as nossas consciências. Diante de Deus basta nos arrependermos e confessarmos. O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. Que coisa gloriosa! Estarmos limpos, com a consciência limpa e pura diante de Deus, mas também precisamos estar com ela pura diante dos homens. Isso é parte do reino dos céus e para nos apropriarmos deste reino requer violência a nós mesmos. Esse rapaz que citei não era cristão. E ele teve que negar a si mesmo. Foi difícil para ele, ele estava trêmulo quando falava comigo. Mas ele sentiu-se na obrigação de ser verdadeiro mesmo sem ter o Senhor!

Esforcemo-nos por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens!

2) Esforçar-se para ser agradável ao Senhor

Em 2 Coríntios 5: 9. Paulo mais uma vez vai nos dizer em que se esforçar: “É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis”.

Há aquele pensamento de que não precisamos fazer nada. Alguns vão dizer: “Não tente agradar a Deus, você não vai conseguir, não tente”. Sim, em sua carne jamais será possível! Mas no poder de Deus é possível. No Espírito de Deus, que fortalece o nosso homem interior, é possível. Baseado nesta força que vem de Deus é que Paulo está falando: “É por isso que me esforço para ser agradável ao Senhor”. A nossa prioridade tem que ser agradar ao Senhor.

Davi declarou ao Senhor: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas” (1 Cron 29:17). Da sinceridade! Oh, quantas falhas tem em nós, quantos fracassos, quantas coisas negativas. Entretanto, Deus se agrada da sinceridade. Deus se agrada do coração sincero. Podemos confessar ao Senhor: “Senhor, eu não estou bem. Eu estou com este problema, eu estou nessa situação horrível, o meu temperamento é terrível Senhor. Mas eu quero te agradar. Socorra-me”. O Senhor que se agrada da sinceridade do nosso coração, certamente virá em nosso socorro.

Podemos fracassar em muitos aspectos da nossa vida, mas devemos ser sinceros para com o Senhor, sem usar os “joguinhos de palavras”. Às vezes usamos estes joguinhos de palavras espirituais com os irmãos, damos a aparência de sermos tão espirituais. As pessoas podem até achar que somos espirituais, de que a aparência corresponde à nossa realidade. Mas com o Senhor isso não vale, Ele vê o coração! Devemos ir diante do Senhor e dizer “Senhor, eu não estou bem. Eu quero agradar a ti, me ajude. Senhor eu acabei de desagradar a ti, de ferir o teu Espírito Santo, entristeci o teu Espírito, mas Senhor eu não quero isto, eu quero agradar a ti”. O Senhor se agrada da sinceridade e se agirmos com sinceridade diante dEle, abriremos caminho para a benção de Deus em nossas vidas.

3) Esforçar-se para entrar no descanso do Senhor

Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência”. (Heb 4: 11)

“Esforcemo-nos, pois por entrar naquele descanso”.
Para mim esta é uma palavra extremamente paradoxal. Parece contraditória. Você precisa entrar no descanso e, no entanto, está dizendo para você se esforçar para entrar nele. Que coisa estranha a primeira vista. Mas é a Palavra do Senhor que está nos dizendo para todos nós, todos os filhos de Deus, sem exceção, “esforçarmo-nos para entrarmos no descanso que Deus tem preparado”.

Alguns estudiosos do grego nos dizem que esta palavra, “esforçar” significa “concentrar toda a nossa energia para atingir um alvo”. Todo o nosso esforço, não da carne, mas de acordo com o poder de Deus que opera eficientemente em nós. E que descanso é este? O escritor de Hebreus está falando que este descanso é “aquela boa terra”, e usa como ilustração a saída do povo de Deus do Egito, e a sua entrada na terra prometida. Sabemos que esta boa terra é figura de Cristo e das Suas riquezas insondáveis. E quando nós entramos nesta terra, encontramos descanso para as nossas almas. Queridos, isto não é só para a glória, é para agora, para o momento presente.

Quantas contendas dentro de nós mesmos! Não estou falando em contender com os irmãos, com as pessoas do mundo, com os filhos ou com o cônjuge, mas com você mesmo! Olhe para dentro de você: quantas contendas podem estar acontecendo aí. Há uma “guerra civil” dentro de você! Você quer fazer a vontade de Deus, mas algo dentro de você se opõe para não fazer. Há uma disputa interna! Entretanto, a palavra do Senhor nos diz para nos esforçarmos, concentrar todas as nossas energias para atingir aquele alvo, do descanso que é Cristo a nossa boa terra – a vida de Cristo em nós, de maneira prática.

Como isso é possível? No livro de Hebreus, capítulo 4, está dizendo que todo aquele povo, no Antigo Testamento, o povo de Deus, não pôde entrar. E por quê? Porque mesmo ouvindo a Palavra de Deus, essa Palavra não foi aproveitada porque não foi acompanhada com a fé. Não puderam entrar por causa da incredulidade!

Queridos, precisamos nos esforçar, colocar toda a nossa energia para atingir esse alvo de Deus para nós. Conhecemos bem a história do povo de Deus no Antigo Testamanto. Eu nasci num lar cristão e conheço essa história desde que era menino. Um povo numeroso que saiu do Egito para ir tomar posse de uma terra que o Senhor havia dado a ele. De seiscentos mil homens capazes de sair à guerra, apenas duas pessoas entraram!. E por que elas entraram? Se você buscar na Palavra, você vai encontrar a razão. Está dito que Josué e Calebe entraram porque eles perseveraram em seguir ao Senhor. Eles perseveraram! Esforçaram-se! Eles colocaram todas as suas energias para atingir aquele alvo de Deus que era a boa terra. Não se deixaram levar pelos outros dez espias que deram um mau relatório a respeito daquela terra. Pelo contrário, eles colocaram todas as suas energias e ainda, de acordo com a Palavra de Deus, tentaram animar os seus irmãos, embora sem sucesso. Mas, eles entraram porque perseveraram em seguir o Senhor! Aleluia!

Será que nós não vamos experimentar as riquezas de Cristo agora? Precisamos receber muitas vitórias! Vitórias sobre o pecado, sobre a carne, sobre o mundo e sobre Satanás. Tudo nos foi dado em Cristo e muitas vezes fico perplexo com o meu próprio viver. Tendo recebido tudo como herança de Deus me vejo vivendo uma forma miserável espiritualmente. Isso está errado! Precisamos perseverar, nos esforçar, para entrarmos naquela riqueza que é nossa em Cristo.

Como aconteceu com Josué? O Senhor disse para Josué que “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés” (Josué 1:3). As riquezas de Cristo são nossas, mas precisamos tomar posse delas! Paulo mesmo diz que ele prosseguia “para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fil 3:12). Ele queria conquistar, ele queria possuir, ele queria segurar aquilo que ele recebeu em Cristo. Assim também nós devemos fazer! A melhor ilustração que me vem ao coração com relação a nos esforçarmos para entrar no descanso do Senhor, a lutarmos para isso, é aquela citação de Jacó, quando ele estava atravessando o váu de Jaboque. Ele começou a lutar com um homem, e lutou a noite inteira, quando percebeu algo muito importante a tempo: Ele percebeu que estava lutando não com uma pessoa comum, mas com Aquele que era o abençoador. E qual foi a palavra dele para o Senhor? “Não te deixarei ir se não me abençoares” (Gn 32:26). Que glória!

Quando não estamos bem, devemos ir ao Senhor e lutarmos com Deus, nos esforçarmos para entrar no Seu descanso. Mas espera lá, vamos com calma. Nós temos ouvido muito por ai, nas rádios e nas televisões em alguns programas, onde as pessoas estão ordenando as coisas para Deus e estão nos dizendo: “você tem que determinar que Deus faça tal coisa”. Não! De modo algum! Devemos lutar com Deus sim, mas o Espírito de Deus foi tão maravilhoso que nos deu uma indicação de como foi que Jacó lutou com Deus. O Espírito Santo registrou essa luta de Jacó no profeta Oséias. E em Oséias está escrito que ele lutou com Deus e prevaleceu. Mas como foi que ele prevaleceu? Dizem as Escrituras: “Chorou e rogou mercê” (Os 12:4). Essa foi a luta dele e deve ser a nossa luta também diante de Deus. Vamos lutar com o Senhor. Vamos perseverar para entrar no descanso de Deus, naquilo que Ele tem para nós. O Senhor tem coisas tão grandes que nós não experimentamos ainda. A Palavra de Deus nos diz das insondáveis riquezas de Deus em Cristo!


4) Esforçar-se para fazer o bem

“Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens”. (Rm 12:17)

“Esforçai-vos por fazer o bem”! Esse é o imperativo da Palavra de Deus.

Às vezes consideramos que essa é uma palavra muito simples, simples demais, pois é obvio que devemos fazer o bem. Paulo está dizendo para nos esforçarmos por fazer o bem diante de todos os homens, não só diante dos irmãos, diante daqueles que amamos. Mas diante de todos os homens. No livro de Gálatas também está escrito: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo” (o que vai acontecer?) “ceifaremos, se não desfalecermos” (Gal 6:9). Deve existir um esforço para não desfalecermos. Quantos de nós muitas vezes estão sem força, paramos na caminhada, paramos na carreira. O apóstolo Paulo insta com Timóteo para combata o bom combate da fé. Ele mesmo diz: “Combati o bom combate”, (e o que mais?) “completei a carreira, e guardei a fé” (2 Tim 4:7). E ele até diz que, como conseqüência disso estava reservada para ele a coroa. Ou seja, o reino tinha sido tomado por Paulo, ele se apoderou dele! Ele tinha a convicção pelo Espírito de Santo que Deus tinha reservado a coroa para ele. E por quê? Porque ele tinha feito violência a si mesmo. Veja o que ele descreve para os irmãos em Corinto. Veja como ele se esforçou para se apoderar do reino de Deus. Leia com atenção o que ele escreveu:

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo”. (2 Cor 6:4-9)

Fazei o bem! Às vezes podemos nos cansar. Por exemplo, até mesmo dentro da nossa casa. Conheço alguns pais que têm lutado com os filhos, ajudando-os sem medida. Entretanto os filhos parecem não se importar com aquilo que seus pais fazem. E então, depois de muito labor, esses pais tomam uma atitude de parar. Cansam-se. Eles dizem: “Ah, assim não dá! Cansei! Não dá mais!” Mas, precisamente num momento como esse é que é necessário lutar com Deus e pedir ao Espírito de Deus que fortaleça o seu homem interior para você continuar fazendo o bem.

A Palavra do Senhor para nós é: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gal 6:9). “Esforçai-vos”!

5) Esforçar-se para preservar a unidade do Espírito

Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3)

Este é outro exemplo, uma outra indicação de Deus em sua Palavra no que nós devemos nos esforçar: preservar a unidade do Espírito, a unidade que já nos foi dada em Cristo Jesus.

Devemos nos esforçar nesse assunto da unidade. Não há valor em falarmos que somos um com todos os irmãos apenas de palavras. Não! Mas como João, o apóstolo, diz, deve ser de fato, de verdade. Precisamos nos esforçar, e há muitas questões práticas envolvidas aqui que vão nos mostrar se estamos nos esforçando para guardar aquela unidade que já nos foi dada. Quanto a unidade da fé ainda vamos alcançá-la, mas a unidade do Espírito já nos foi outorgada (cf. Ef 4:3,13). Entretanto, há uma responsabilidade que nos foi dada: devemos nos esforçar para guardá-la. E ainda, não é de qualquer forma, mas diligentemente, como nos diz a Palavra.

Cremos que todos os filhos de Deus, todos aqueles que nasceram de novo formam o corpo de Cristo. Desejamos ser um com todos eles. E por quê Paulo diz que devemos preservar essa unidade do Espírito? Ele vai dar a razão logo a seguir. Veja o que ele diz nos versículos seqüentes:

“Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. (Ef 4:4-6)

Não deve haver nada além dessas coisas como condição para estarmos unidos aos irmãos, para sermos um no corpo de Cristo. Infelizmente o que tem prevalecido durante a história da igreja e mesmo nos nossos dias, é divisões e mais divisões entre os filhos de Deus. Às vezes por qualquer motivo alguns deixam de congregar. E ainda se justificam dizendo: “Não, não me reúno mais não! Tal irmão falou algumas coisas e eu não concordo! Eu não tenho o mesmo entendimento que ele! Vou reunir em outro lugar!” Outro diz: “Ah aquele irmão! Não suporto o temperamento daquele irmão! Vou me congregar em outro lugar!” E por aí seguem. Mas meus irmãos, deve haver um esforço, você tem que ser violento, não com os irmãos, mas com você mesmo, tomar sua cruz e negar a si mesmo, seguir ao Senhor e preservar a unidade do Espírito. Esta é nossa responsabilidade.

Admira-me que coisas tão pequenas e sem sentido atrapalham e embaraçam o nosso coração. E a razão disso é porque não tomamos a nossa cruz. Não queremos fazer violência a nós mesmos para nos apropriarmos do reino dos céus. E por isso, quebramos, na vida prática, a unidade do Espírito. Irmãos, a Palavra do Senhor nos indica que deve existir um esforço da nossa parte para que a unidade do Espírito possa ser mantida.

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor”. (Ef 4:1-2)

Que o Senhor nos ajude nisto.

6) Esforçar-se nas orações em favor dos santos

“Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus”. (Col 4:12)

Que exemplo maravilhoso para todos nós o que ficou registrado a respeito de Epafras. “O qual se esforça”! E não é de qualquer forma! – “Sobremaneira”! Isso não é suficiente, esta tradução colocou de uma maneira enfática: “Continuamente por vós”!

Precisamos nos esforçar na oração, e temos aqui Epafras como um exemplo de quem se esforçava. A palavra no original grego que foi traduzida aqui por “se esforça” tem um sentido muito mais forte. O seu sentido no original é “agonizar”. Ele se agonizava na oração em favor dos irmãos para que eles pudessem ser conservados perfeitos e plenamente convictos em toda vontade de Deus! Que Deus levante no nosso meio, nas nossas assembléias muitos Epafras para interceder pelo povo de Deus continuamente, para agonizar-se em favor dos filhos de Deus. Outro exemplo que temos é o próprio Paulo que, referindo-se a si mesmo, disse que sofria as dores de parto até ser Cristo formado nos irmãos (cf Gal 4:19). Epafras fez a mesma coisa. Ele agonizou em oração em favor dos irmãos.

Quando estamos na carne, nos nossos próprios interesses, não oramos por nossos irmãos! Mas se queremos nos apropriar do reino dos céus, precisamos nos esforçar, e aqui está um exemplo do que nós podemos nos esforçar. E geralmente é nessa questão da oração que muitos de nós fracassam.

Às vezes, reclamamos de alguns irmãos. Dizemos: “Esse irmão é muito problemático, não tem jeito!” Ou, “Aquela irmã é quem fez isso!” Ficamos torcendo até para que Deus a mande para outro lugar, para outra cidade. Nos sentimos até aliviados quando algum irmão ou irmã deixa de estar conosco seja por qual motivo for. O triste de tudo isso é que poucos estão dispostos a pagar o preço de se agonizarem diante de Deus em oração por aquela vida. Mas a Palavra de Deus nos chama hoje a nos esforçarmos na oração em favor dos nossos irmãos, em favor de nós mesmos, em favor de tantas coisas que é do interesse de Deus. Epafras se esforçava, se agoniza sobremaneira, continuamente em favor dos irmãos. Que Deus levante-nos como "Epafras" hoje!


7) Esforçar-se na pregação do evangelho

Há um último exemplo que gostaria ainda de mencionar. Novamente Paulo nos dá este exemplo:

Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio”. (Rm 15:20

“Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho”! Percebemos nas Cartas que Paulo escreveu e no livro de Atos como ele se afadigou para pregar o evangelho. Como ele se esforçou para proclamar o evangelho. Ele dizia: “porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Cor 9:16). Havia um senso de responsabilidade em pregar o evangelho. Ele se esforçou a tempo e fora de tempo. Onde o Senhor o levava, ele pregava, ele se esforçava.

Vejam a pessoa do Senhor Jesus. Nos exemplos do Senhor, vemos como Ele se esforçava para fazer coisas! Inclusive para pregar o evangelho! Ele mesmo disse certa feita a seus discípulos: “Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim” (Mc 1:38). Incansavelmente o Senhor pregava!

Eu tenho um desejo muito grande no meu coração de ver nas assembléias que eu conheço, principalmente onde eu moro, todos engajados na pregação do evangelho. Irmãos, às vezes julgamos que fomos chamados para nos reunirmos no nome do Senhor e que devemos nos preocupar apenas com a edificação da casa de Deus. Alguns de nós caem no engano de achar que muitas das assembléias tem somente número, mas muito pouca realidade. E usamos isso como desculpa para não avançarmos na pregação do evangelho. Quão enganoso é isso. Quando as pessoas são salvas, elas são acrescentadas ao corpo de Cristo e o crescimento é Deus quem vai dar. Ganhar almas é parte fundamental da edificação da casa de Deus! Cada pessoa que é ganha para o Senhor é uma pedra viva da casa de Deus!

Que o Senhor possa levantar nas assembléias dos cristãos um desejo ardente de ganhar almas. Que possamos nos esforçar em pregar o evangelho de Deus. Este é um mandamento do Senhor. Do Senhor ressurreto! Ele é quem disse isso de um modo muito claro, não há dúvidas, não há interpretação! Ele foi quem disse, “Ide”!

Isso é tão glorioso! Todos nós provavelmente temos a experiência de ao falar do Senhor, de ver as pessoas se convertendo, e naquele momento Deus encher os nossos corações de uma alegria maravilhosa! Enquanto estamos evangelizando, falando do amor de Deus para as pessoas, vem a alegria do Senhor em nossos corações fortalecendo-nos, animando-nos, encorajando-nos! Que glória! Entretanto, muitas vezes, não colocamos essa ordenança do Senhor, o “Ide”, no nosso viver prático. Paulo deixou um ótimo exemplo para nós. Ele se esforçava em pregar o evangelho.

Este é o desejo de Deus. O Senhor nos tem chamado para sermos Seus cooperadores.

Que possamos, pela misericórdia do Senhor, nos esforçar e naquele dia no tribunal de Cristo ouvir do nosso Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.”


NAquele, em quem podemos nos esforçar,

BP

23/03/2008

O reino dos céus é tomado por esforço - Parte 2

“...o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. (Mateus 11:12)

Queridos amigos: vamos continuar com a reflexão que iniciamos na postagem anterior.

Estamos vivendo dias em que um outro evangelho tem sido pregado. Temos visto um evangelho tão diferente do evangelho do Senhor Jesus Cristo. Como foi que João Batista e o próprio Senhor Jesus começaram a pregar? “Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3:2, 4:17)! Mas o evangelho que temos visto hoje, no meio da irmandade, é um evangelho muito diferente. Que o Senhor tenha misericórdia de nós! Um evangelho no qual o homem está no centro e que suas necessidades têm que ser satisfeitas. Esse não é o evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo! Um evangelho que simplesmente diz que você tem que ser próspero, que você tem que ser feliz. Eu não me lembro de nenhuma vez que o Senhor Jesus tenha dito algo semelhante. É claro que a Palavra do Senhor nos diz que o reino dos céus consiste sim na alegria do Espírito Santo, mas não nesta felicidade humana que tem sido pregada.

Às vezes, alegria no Espírito Santo pode ser aquela situação em que Paulo e Silas se encontraram. Eles estavam pregando o evangelho do Senhor, fazendo a vontade de Deus, e por causa disso foram açoitados e lançados no cárcere. Ali, feridos e com vergões, eles glorificavam o nome do Senhor. Eles se alegravam no Senhor. Essa não é a felicidade humana que tem sido pregada! Eles se alegravam no Senhor! Quanta diferença do comportamento dos nossos irmãos no passado do que agora temos visto. Quanta diferença do evangelho genuíno do Senhor Jesus Cristo, com o que temos ouvido no meio da irmandade em vários lugares.

Ouçamos a verdade do Senhor em sua Palavra, e não nos distraiamos com aquilo que não é o evangelho do Senhor! Deus tem nos chamado para um propósito eterno e maravilhoso. Deus nos tem chamado para participarmos com o Seu Filho de algo sublime, eterno. E juntamente com esse chamado, o Senhor nos tem dado também uma responsabilidade e nós precisamos ser cooperadores de Deus. Paulo disse que “...de Deus somos cooperadores” (I Cor 3:9). Muitas vezes achamos que porque cremos no Senhor e Ele nos deu tudo em Cristo, não resta mais nada a ser feito. Mas isso não é verdade! O Senhor ainda tem uma obra para conosco.

Está absolutamente certo que, com respeito à nossa justificação, tudo está concluído. Nada mais resta a ser feito. Mas nos tornarmos semelhantes ao Senhor Jesus é algo que ainda não está concluído. Cremos e temos absoluta certeza que Deus formará a imagem do Seu Filho em nós. E Ele nos chama hoje para participarmos desse trabalho, cooperando com Ele. Mesmo sendo obra do Espírito de Deus, entretanto, podemos cooperar com essa obra de Deus em nós.

No caso específico que estamos tratando, quando o Senhor diz que “o reino dos céus é tomado por esforço (ou violência) e aqueles que se esforçam (que são violentos) se apoderam dele”, o que isso quer nos dizer? Certamente não é para sermos violentos uns com os outros, nem é para contendermos uns com os outros! Na verdade precisamos ser violentos sim, mas conosco mesmos!

O que é mais violento do que a morte do Senhor Jesus na cruz? O que é mais violento do que isto? E o que foi que o Senhor Jesus disse para fazermos? O que alguém que quer seguir ao Senhor deverá fazer? Deve negar-se a si mesmo e tomar a sua cruz. Isto é, fazer violência a si mesmo. É realmente ir contra a nossa própria constituição, na realidade uma constituição caída. Deus está operando isso em nós. O reino dos céus deve ser tomado por esse esforço, por essa violência conosco mesmos. Se ainda não acordamos para isso, saiba que Deus quer operar isso agora, a partir desse momento, em nossas vidas.

O quanto Deus produzirá em nós enquanto estivermos nesta terra, dependerá da nossa participação, dependerá daquilo que estamos dispostos a cooperar com Ele neste trabalho. Há um aspecto da nossa salvação que deve ser desenvolvido agora, até que o Senhor venha.

Quando olhamos para a “tão grande salvação” (Heb 2:3) que recebemos, podemos visualizar três aspectos ou tempos dessa salvação.

O primeiro aspecto está no passado. Fala-nos daquele aspecto da salvação que já recebemos, quando o nosso espírito foi regenerado por Deus, quando recebemos um novo espírito. Isso é passado e já está plenamente concluído e nunca mudará. Nós recebemos a vida eterna. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas Ele nos deu vida. Bendito seja o Senhor por isso! Ele nos deu vida, estando nós mortos em nossos delitos e pecados. O Senhor nos deu o Seu Espírito, e veio habitar no nosso espírito. Isso foi um fato consumado, eterno, aconteceu no passado. Isso nos tornou eternamente filhos de Deus!

Mas a Palavra de Deus nos fala de outro aspecto, no presente: “...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fil 2:12). Quando? Agora, é no presente! “Obtendo o fim da vossa fé” – e qual é o fim da vossa fé? – “a salvação da vossa alma” (1 Pe 1:9).

Quando cremos no Senhor recebemos um novo espírito, mas o que dizer da nossa alma, que é a sede das emoções, mente e vontade? Em muitas ocasiões temos vontades que não condizem com a vontade de Deus. Às vezes os nossos sentimentos não condizem com o sentimento de Deus. Os nossos pensamentos não são os pensamentos dEle como diz a Palavra. O nosso caminho não é o caminho dEle. Porque caímos, somos pecadores. Embora salvos pela graça de Deus, a nossa alma ainda precisa ser salva como nos diz Pedro no versículo citado anteriormente. Precisamos da operação do Espírito Santo através da cruz do Senhor, cortando aquilo que não é de Deus, transformando o nosso caráter no caráter do Filho de Deus. Precisamos permitir que o Espírito Santo aplique a cruz a cada uma das áreas da nossa alma.

É nisso que precisamos fazer violência; nós não podemos concordar conosco mesmos, com aquilo que não está bem, com aquilo que não é conforme a imagem do Filho de Deus. Precisamos negar a nós mesmos e ir diante de Deus e lutar com o Senhor, no sentido de que o Senhor venha operar em nós aquilo que lhe é agradável. E certamente o Senhor vai nos dar muitas oportunidades de negarmos a nós mesmos para que o Espírito Santo opere em nossas vidas. A Sua Palavra que é espada de dois gumes, que divide a alma do espírito estará cortando aquilo que não convém.

Através dos nossos relacionamentos com os irmãos em Cristo e mesmo com os não cristãos Deus vai permitir, por Seu Espírito, muitas oportunidades de fazermos violência a nós mesmos, de nos esforçarmos e nos apoderarmos da realidade do reino de Deus. “Obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma”, isto é no presente e precisamos focar a nossa atenção para este tempo presente, da nossa responsabilidade de cooperar com Deus.

E há um aspecto futuro da nossa salvação que fala da redenção do nosso corpo, quando teremos um corpo glorificado como o corpo do Senhor. Isso ainda é futuro. Acontecerá na ressurreição ou no arrebatamento. E como Paulo nos diz, que possamos “...aspirar por sermos revestidos da nossa habitação celestial” (1 Cor 5:2). Revestidos do incorruptível! Essa é a salvação do nosso corpo. A salvação do nosso espírito já aconteceu. A vida de Deus veio para nós, está em nós, mas a vida de Deus tem que fluir; talvez tenhamos que “cavar muitos poços”, desentulhar muitas coisas para a Vida de Deus chegar até a nossa vontade, à nossa mente, às nossas emoções e assim podermos trabalhar juntos com Deus, sermos usados pelo Senhor, sermos transformados de glória em glória cooperando com Ele no Seu reino.

Cooperar com o Senhor Apressando a Sua Vinda

Muitos de nós, povo de Deus, têm um conceito inadequado da volta do Senhor. Pensamos que o Senhor Jesus marcou um dia fixo para a Sua volta e que, aconteça o que acontecer, Ele virá nesse dia específico. Mas não é assim que a Palavra de Deus nos ensina. Precisamos cooperar para que o desejo do Senhor Jesus se realize.

Pedro nos diz que devemos “...ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus...” (2 Pe 3:11-12). Quando é que o Senhor vai voltar? Quando a Sua noiva estiver pronta. Ele não virá antes! É necessário que a Sua noiva se apronte, que esteja preparada. É necessário que algumas coisas aconteçam primeiro. Devemos ter isto muito claro em nossa mente e coração!

O que nos é dito em Apocalipse?

“Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”. (Ap 19:6-8)

Este evento nos mostra que o Senhor está reinando (v.6), e que as bodas do cordeiro chegaram e Sua noiva a si mesma se ataviou! Ou seja, Ela cooperou com o noivo. A noiva a si mesma se preparou. E o seu vestido são os atos de justiça dos santos!

Podemos indagar: não é o Espírito Santo que faz a obra em nós? Como é que está dizendo que a noiva a si mesma se ataviou, que o seu vestido são os atos de justiça dos santos? Na realidade, tudo é obra do Espírito Santo, e sem o Espírito de Deus nada pode ser feito que agrade a Deus. À parte do Espírito Santo não há nada, é tudo em vão, é tudo do homem, da carne, será queimado, não prevalecerá no tribunal de Cristo. É palha, feno e madeira.

E até mesmo aquelas obras que o Senhor Jesus realizou, foi no poder do Espírito Santo. Tudo que Ele fez foi pelo poder do Espírito Santo. Até mesmo quando Ele ofereceu a si mesmo na cruz foi pelo Espírito Eterno (Heb 9:14). E quando o Senhor foi glorificado, Ele cumpriu o que havia prometido, enviando o Espírito Santo, que agora habita em nós e está trabalhando em nossas vidas para que o propósito de Deus seja realizado.

Em Apocalipse 19:8, diz que foi dado à noiva vestir-se de linho finíssimo, e que o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. São os atos de justiça que os santos praticaram pelo poder do Espírito Santo; não foi por eles mesmos. É obra dEle nos santos e através dos santos. Que possamos cooperar com Ele!

Ele escolheu fazer assim e por isso temos uma responsabilidade. Que Deus nos ajude! Nos ajude a permitir que a graça encha os nossos corações para entendermos isto e estarmos atentos: “O reino dos céus é tomado por esforço”!

Deus nos tem chamado para fazer algo

Há algo para fazermos. Não raro ouvimos algumas pregações que nos constrangem por um medo, impondo um legalismo tão grande, e ficamos com uma mente de que temos de fazer e cumprir muitas ordenanças e tradições dos homens. Há muita muita ênfase no que você tem que “fazer”. E muitas vezes queremos agradar a Deus tentando cumprir a lei de Deus. Mas como Paulo, descobro que: “não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7:19).


Entretanto, por outro lado, podemos achar que não devemos fazer nada permanecendo na passividade. Lemos por exemplo, em Efésios 1:11, que Deus “...faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”. E aí caímos num outro extremo. Pensamos assim: “Nós cremos no Senhor e Ele nos deu a vida eterna. Agora é só assentarmos numa poltrona confortável, e ficar ali esperando no Senhor, pois Deus fará tudo”. Essa é uma idéia muito errada! E às vezes temos até um linguajar muito bonito e parece muito espiritual. Dizemos: “Irmão isso é da carne”; “você não deve fazer nada”; “descansa só no Senhor”; “descansa”. Sim, devemos descansar. Mas pode ser que o nosso entendimento de descansar esteja equivocado, porque Deus tem nos chamado para fazer alguma coisa.

Faça um teste: comece a ler o Novo Testamento e tome algumas anotações. Faça duas colunas em uma folha de papel. Anote de um lado todas as vezes que vem dizendo que Deus vai operar, que Deus é quem faz. Do outro lado anote o que você precisa fazer, o que Deus manda você fazer. Ao final da leitura, como é que estarão as duas colunas? Você verá muitas coisas na primeira coluna, mas haverá também muitas coisas na segunda coluna. Ou seja, Deus nos manda fazer muitas coisas. E claro, todas elas devem ser feitas não no braço da carne, mas na força do Espírito Santo que em nós habita.

Por exemplo, em 2 Timóteo 2:5 está dito que é o Senhor que nos concede o arrependimento. Entretanto, a Palavra do Senhor nos diz para nos arrependermos. Ou seja, Deus é quem da o arrependimento, mas precisamos ter a disposição para isto. Devemos cooperar com o Espírito de Deus nessa questão.

Cooperando com a força do Senhor que opera em nós

“Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. (Col 1:29)

Nesta questão de nos esforçar, de fazer algo, de cooperar com Deus, não é segundo o braço da nossa carne, mas é segundo o poder de Deus em nós. Paulo está falando que ele também se afadigava, ele se esforçava. E como ele fazia isso? Com o braço da sua carne? Não! “Segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Paulo não está nos falando de esforçarmos na carne, mas nos esforçarmos no Senhor, de fazermos aquilo que o Senhor mandou que fizéssemos; crendo que o Espírito de Deus pode nos fortalecer.

Em Efésios, Paulo escreveu dizendo que orava em favor dos irmãos “para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior” (vs 3:14, 16). Podemos fazer algo que seja da vontade de Deus e que permanece, se fizermos de acordo com a força do Senhor que opera em nós. Paulo diz aqui que o nosso homem interior deve ser fortalecido pelo poder do Espírito Santo. Só assim conseguimos fazer algo que vai agradar ao Senhor e que vai permanecer no tribunal de Cristo. Que o Senhor nos dê da Sua graça e que pelo poder do Espírito Santo fortaleça o nosso homem interior para fazermos aquilo que Ele quer que façamos.

Pedro nos diz que “nos têm sido doadas todas as coisas que nos conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1:3). Todas as coisas! Nós não temos desculpas. O Senhor se comprometeu conosco e Ele espera a nossa cooperação.

Queridos, nos é oferecido um reino. Todos temos no tempo presente a oportunidade em primeiro lugar de fazer com que esse reino venha de imediato no nosso viver. Todas as vezes que a autoridade do Senhor é manifestada, todas as vezes que Satanás e suas obras são subjugados é chegado o reino de Deus. E também, para o futuro, devemos nos preparar para aquele reino que virá sobre a terra. Somos cooperadores de Deus para trazer o seu reino. Temos este privilégio de sermos aqueles que apressam a vinda deste reino.

Pense um por um momento em João Batista. O que ele veio fazer? Veio preparar o caminho do Senhor! O Senhor nos chama para estarmos naquele mesmo espírito de João Batista a fim de introduzirmos o rei, o Senhor Jesus, no Seu reino!

O Senhor virá somente quando a noiva estiver ataviada, pronta para o Seu noivo. Devemos ter isso bem claro em nossa mente, pois frequentemente nos esquecemos desta realidade. Preferimos uma vida confortável conosco mesmos e começamos a buscar os nossos próprios deleites dando vazão à carne e às muitas paixões que fazem guerra contra a nossa alma.

Possa o Senhor falar conosco, exortando-nos e lembrando-nos da nossa condição de filhos de Deus e que Ele tem um propósito eterno para conosco e que nos chama a cooperar com Ele. Talvez hoje seja um tempo de oportunidades para alguns de nós. Oportunidade para nos voltarmos plenamente para o Senhor. Alguns de nós pode estar esquecendo desta realidade.

Em todo o nosso serviço, em toda a nossa vida, o Senhor nos chama a cooperar com Ele.

Na próxima postagem gostaria de considerar alguns exemplos da Palavra de Deus que nos mostram alguns coisas em que podemos nos esforçar.

Em Cristo,

BP

10/03/2008

O reino dos céus é tomado por esforço - Parte 1

“...o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. (Mateus 11:12)

Queridos amigos:

Alegramo-nos sobremaneira pela vida do Senhor Jesus que está em nós. Vida que recebemos como uma dádiva maravilhosa do Pai. Não fizemos absolutamente nada para recebê-la. O Pai nos amou com amor eterno, e deu o Seu Filho a nós, e assim recebemos a vida do seu Filho que hoje está em nós, como dizem as Escrituras, “Cristo em vós, a esperança da glória” (Col 1:27).

Muito embora recebendo tamanha benção e privilégio, recebemos também associada a este benefício uma responsabilidade. O nosso Senhor Jesus foi assunto aos céus e recebeu um nome que está acima de todo o nome, se assentou a destra do Pai e voltará. E até a Sua volta, Ele nos deixou algumas incumbências, algumas coisas para fazer, responsabilidades sobre cada um de nós que pertencemos a Ele.

A esse respeito, a partir da afirmação do Senhor Jesus em Mateus 11:12, gostaria de compartilhar com vocês algumas reflexões. Elas são a transcrição e edição da
mensagem que preguei na Conferência em Contagem - MG em Fevereiro/2007.



“Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. (Mt 11:12 – Almeida, revista e atualizada)

Em algumas traduções nós vamos encontrar que “o reino dos céus tem sofrido violência, e que os homens violentos se apoderam dele”, que os homens violentos tomam posse dele. O reino dos céus tem sido tomado por esforço, por violência, e aqueles que são violentos ou nessa tradução que estou usando, aqueles que se esforçam se apoderam dele. Gostaria de enfatizar essa expressão: “aqueles que se esforçam”.

Antes de focar aquilo que está no meu coração com respeito a esta expressão, eu gostaria de estabelecer alguns fundamentos, algumas bases para um melhor entendimento do assunto que queremos tratar.

Os aspectos do Reino de Deus

Quando falamos em reino de Deus, a Palavra do Senhor dá uma abrangência muito maior do que normalmente os cristãos consideram. Muita confusão e muitas disputas têm acontecido em torno desta realidade e de seu entendimento dela entre os cristãos. A minha compreensão é que muitas destas disputas cessariam se os cristãos vissem com mais clareza e simplicidade os aspectos do reino de Deus.

Se você verificar, por exemplo, numa concordância bíblica todas as ocorrências dos versículos que falam a respeito dessa expressão, “reino de Deus” e “reino dos céus”, você descobrirá pelo menos três aspectos do reino de Deus.

O primeiro deles é o aspecto passado: O reino de Deus está em nós.

O Senhor Jesus ao ser “Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:20). Neste caso o reino de Deus já veio, é algo que aconteceu no passado, quando cremos no Senhor Jesus, quando nascemos de novo. A expressão que podemos usar neste caso é: o reino de Deus "já veio".

Mas há também um aspecto presente do reino de Deus. Percebemos isso com muita clareza naquele evento registrado em Mateus 12. O Senhor estava sendo acusado pelos fariseus que diziam: “Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios” (Mt 12:24). Entre algumas coisas que o Senhor falou em resposta a esta acusação há uma afirmação muito interessante com relação ao reino de Deus: “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mt 12:28).

O que podemos depreender desse evento e dessa afirmação é que sempre que a autoridade do Senhor é manifestada na terra, quando Satanás e suas obras são subjugados, o Senhor tem feito chegar o Seu reino entre nós. E esta é uma responsabilidade nossa, da igreja, em fazer chegar o reino de Deus onde estivermos. Então nesse aspecto o reino dos céus está chegando. É um aspecto presente do reino de Deus. A expressão que podemos usar neste caso é: o reino de Deus "está vindo".

Mas há um aspecto futuro, que ocorrerá quando o Senhor Jesus literalmente voltar. Na Sua volta teremos a presença real do Senhor; Ele virá em glória, como leão da tribo de Judá e reinará sobre esta terra. Ele se assentará no trono de Davi e reinará nesta terra por mil anos. Esse aspecto fala-nos do reino milenar (Ap 20:6). A igreja do Senhor, ou mais especificamente, aqueles que vencerem no tempo presente, estarão com o Senhor neste reino milenar. Este é um aspecto futuro do reino de Deus. A expressão que podemos usar neste caso é: o reino de Deus "virá".

Deveríamos ver um aspecto talvez mais longínquo, um futuro mais distante, quando o Senhor Jesus entregará a chave do reino ao Pai. “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder” (1 Cor 15:24). E aí inaugurará um reino eterno. Onde nos é dito que aqueles que são do Senhor reinarão pelos séculos dos séculos (Ap 22:5).

Resumindo, temos então: um aspecto passado – o reino de Deus está em nós; o aspecto presente do reino – todas as vezes que a autoridade do Senhor Jesus é manifestada, o senhorio do Senhor é manifestado, quando o inimigo e suas obras são subjugados, o reino tem chegado até nós. E finalmente há aquele aspecto futuro, aquele reino milenar que o Senhor prometeu, que será um prêmio para muitos do Seu povo.

Eu creio que é a respeito deste reino futuro que o Senhor Jesus está falando em Mateus 11. “Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (v.12). O reino será um prêmio para aqueles que se esforçam, será uma recompensa que eles receberão. Precisamos então entender o que significa esse esforço ou essa violência que o Senhor menciona, uma vez que esta é a condição que o Senhor colocou para alguém possuir este reino.




Para facilitar o entendimento, abaixo segue uma tabela resumindo o que temos escrito até agora sobre os aspectos do reino.




Dádiva x Recompensa

Há um outro ponto muito importante que precisamos mencionar. É a diferença existente nas Escrituras entre dádiva e recompensa. Se não fizermos a distinção entre essas duas verdades certamente faremos muita confusão.

A dádiva está relacionada com a graça de Deus sobre as nossas vidas, o dom gratuito de Deus, aquilo que Ele nos deu em Cristo. Não fizemos absolutamente nada para receber. Ele nos deu a vida eterna, Ele nos deu o Seu Filho, Ele nos deu todas as coisas em Cristo Jesus. Fomos eleitos em Cristo Jesus. Fomos escolhidos em Cristo Jesus. Temos a vida eterna por causa da obra do Filho de Deus. Isso jamais vai nos ser tirado. É uma dádiva de Deus. O que vai nos separar do amor de Cristo? Absolutamente nada! Nós nos alegramos com isto, é algo eterno, é uma aliança incondicional de Deus para conosco. E como diz a Palavra de Deus: “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rom 11:29), são sem arrependimento. O Senhor nos deu a Sua vida, é uma dádiva de Deus, é um dom de Deus. É irrevogável, sem arrependimento.

Entretanto, há um aspecto relacionado não à dádiva, mas àquilo que nós recebemos como uma recompensa, como um prêmio por aquilo que fizemos em resposta ao que a graça de Deus operou em nós, por aquilo que nós permitimos o Espírito Santo fazer em nossas vidas.

Quando o Senhor disse à igreja em Esmirna: “Sê fiel até a morte”, o que vai acontecer? Ele completa: “e dar-te-ei a coroa da vida”. (Ap 2:10). Assim há uma condição para receber a coroa da vida: ser fiel. E aqueles que crêem que perdem a salvação dizem: “Está vendo, vai perder”. Mas prestem atenção, é muito simples esta leitura: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei" (não a vida), mas a coroa da vida”. Com relação à vida, a Palavra do Senhor nos diz através do apóstolo João que “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5:12). João diz isso de uma maneira muito direta, muito simples, sem qualquer complicação. Não há o que interpretar aqui.

Mas a questão de recebermos o galardão, de recebermos as recompensas, está ligada à nossa responsabilidade; está ligada àquilo que fizemos com a graça disponível que Deus nos deu. Está relacionada à nossa fidelidade como despenseiros de Deus. E como o apóstolo Paulo diz “o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Cor 4:2). E para aqueles que forem encontrados fiéis haverá uma recompensa.

O Senhor Jesus nos disse que, quando Ele vier, retribuirá a cada um de nós segundo as nossas obras, segundo aquilo que fizermos (Mt 16:17). Na sua volta o Senhor vai estabelecer o tribunal de Cristo. A Palavra do Senhor em 2 Coríntios 5:10 diz: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo”, - E para quê? - “para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”. Todos nós cristãos, nascidos de novo, teremos que prestar contas da nossa mordomia.

Nunca é bastante enfatizarmos que a nossa salvação eterna depende apenas da graça de Deus. É dom de Deus! Uma dádiva celestial! Nunca poderia depender das nossas obras, da nossa justiça que, como nos asseveram as Escrituras, não passa de trapos da imundícia (Is 64:6). E, portanto, no tribunal de Cristo, longe de se ter um julgamento para decidir se vamos ou não receber a vida eterna, haverá o julgamento das nossas obras. Poderemos receber o bem ou mal que tivermos feito por meio do corpo (2 Cor 5:10). Haverá perda sim, mas não a perda da salvação, da vida eterna. Poderá ocorrer a perda do privilégio de receber os galardões, as recompensas por nossa fidelidade ao Senhor. Nesse tribunal será dado como prêmio o reinar com Cristo no Seu reino milenar que será estabelecido na terra na Sua volta. Como está escrito em 1 Coríntios 3:11-15:





"Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo".



Preste atenção nos "SE" que Paulo usa. Há uma condição para receber o galardão, a recompensa. Mas ainda que alguém não receba nenhuma recompensa, esse mesmo será salvo!

O Senhor diz à igreja em Filadélfia: “Conserva o que tens”, para quê? “para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3:11). Não é a vida, a vida ninguém pode nos tirar, é obra do Senhor Jesus, é o dom gratuito de Deus. Nada pode nos tirar esta vida, somos filhos de Deus pela obra do Senhor Jesus e nada, nem ninguém, vai nos tirar este dom, absolutamente nada. Mas a coroa pode nos ser tirada. “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. E coroa fala de reinar. E claro que, no caso dos cristãos, aponta para o reinar com Cristo no futuro.

De modo muito simplificado, apenas para elucidar um pouco mais a distinção que estamos fazendo aqui sobre dádiva e recompensa, segue abaixo o seguinte quadro:

Creio que com esse pano de fundo podemos voltar agora para Mateus 11:12.

O reino dos céus e tomado por esforço

O verso de Mateus 11:12 por muito tempo foi estranho para mim. O que o Senhor Jesus queria dizer com “os violentos se apoderam do reino”, ou que "o reino dos céus é tomado por esforço e os que se esforçam se apoderam dele”?

Se desejamos reinar com o Senhor precisamos buscar entender esta palavra. Devemos desejar reinar com o Senhor; e não só isto, mas desejar que o reino dEle venha. Foi assim que Ele nos ensinou a orar. Lembram da oração que ele ensinou aos seus discípulos? “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino” (Mt 6:9-10).

Queremos ver o reino de Deus manifestado em nossas vidas agora, mas também queremos vê-lo manifestado literalmente sobre a terra. A Palavra de Deus diz que “a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14). Que coisa gloriosa para nós cristãos! Podermos já agora, como diz o livro de Hebreus, desfrutar dos poderes do mundo (século) vindouro (Heb 6:5). Há grandes coisas que Deus tem preparado para o Seu povo! Há um reino inabalável (Heb 12:28) nos aguardando.

Continuaremos numa próxima postagem.

NAquele que virá e não tardará,

BP

27/01/2008

Batalha Espiritual – Recebendo benção ou maldição

“Amaldiçoai a Meroz... Bendita seja ...Jael...” (Juízes 5:23, 24)

Amados:

Agradecemos ao Senhor que nos conduziu até aqui nesta postagem. Com ela encerramos a nossa reflexão sobre batalha espiritual, conforme ilustrada em Juízes 4 e 5.

Como mencionei em postagens anteriores, o meu desejo neste assunto foi compartilhar com mais ênfase as questões referentes a um dos nossos inimigos na batalha espiritual: a nossa carne. Não tive a pretensão de ser abrangente. Escrevi apenas aquelas coisas que estavam borbulhando no meu coração.

Dividi o assunto em duas partes. A primeira mostrando a batalha em si, o inimigo a ser vencido, a nossa incapacidade em nós mesmos de nos libertar do jugo desse inimigo e qual é o caminho da vitória. A segunda “olha para trás” após a batalha ser travada, verificando como nos comportamos nesse período. E quão importante é isso para cada um nós, pois está ligado diretamente com aquele dia quando compareceremos perante o tribunal de Cristo. Ali receberemos o louvor ou a reprimenda do Senhor em conseqüência do nosso viver hoje.

Nunca é bastante enfatizarmos que a nossa salvação eterna depende apenas da graça de Deus. É dom de Deus! Uma dádiva celestial! Nunca poderia depender das nossas obras, da nossa justiça que, como nos asseveram as Escrituras, não passa de trapos da imundícia (Isaías 64:6). E, portanto, no tribunal de Cristo, longe de se ter um julgamento para decidir se vamos ou não receber a vida eterna, haverá o julgamento das nossas obras. Poderemos receber o bem ou mal que tivermos feito por meio do corpo (2 Coríntios 5:10). Pode haver perda sim, mas não a perda de salvação (vida eterna), e sim o privilégio de receber os galardões e de reinar com Cristo no Seu reino milenar que será estabelecido na terra na Sua volta.

Vimos na segunda parte aqueles que foram à guerra, venceram e por isso podiam ter um cântico de vitória. Eles buscaram os interesses do Senhor e do Seu povo. Entretanto, vimos também aqueles que por razões diversas não foram à batalha. Na verdade a motivação destes últimos foi a mesma: buscaram seus próprios interesses e não os do Senhor e do Seu povo!

Nesta última postagem da série, quero compartilhar a respeito do forte contraste que aparece no cântico profético de Débora: benção ou maldição decorrentes da participação ou não da batalha do Senhor.

Depois de terminada a batalha, o Espírito Santo conduziu Débora a este cântico profético e nele é proferida a benção para uma pessoa, Jael, em contraste com os moradores de Meroz, que receberam maldição da parte do Senhor. Quão solenes são essas palavras das Escrituras.

E porque os moradores de Meroz foram amaldiçoados? O texto das Escrituras nos esclarece:

“Amaldiçoai a Meroz, diz ou Anjo do Senhor, amaldiçoai duramente os seus moradores, porque não vieram em socorro do Senhor, em socorro do Senhor e seus heróis”. (Juízes 5:23)

Não vieram em socorro do Senhor e seus heróis! Essa foi a razão. Para nós isso pode soar muito duro, muito forte, mas é a palavra do Senhor. O julgamento aqui não é de Débora, não é de Baraque, mas do próprio Senhor. Aquele que julga retamente todas as coisas, aquele que sonda mente e corações, aquele que conhece todas as motivações do nosso ser, Ele é quem diz: amaldiçoai!

Meus queridos, esta situação de Meroz nos fala do perigo que corremos em não irmos à batalha do Senhor, mesmo tendo ouvido o toque da Sua trombeta nos chamando. Enquanto a trombeta soava para a peleja, os moradores de Meroz permaneceram inertes e não deram nem um passo em direção ao socorro do Senhor nem dos seus heróis. Por isso foram amaldiçoados!

Esta palavra deveria nos dar tremor. Quão séria ela é. Se você já tem caminhado com o Senhor a mais tempo, se já não está mais na sua infância espiritual sabe disso e concorda comigo. O Senhor tem nos chamado para “combater o bom combate” e não atender a este chamado pode trazer-nos conseqüências extremamente sérias no tempo presente e principalmente quando da volta do Senhor Jesus.

Os moradores de Meroz se omitiram. A oportunidade de ir ao socorro do Senhor e dos seus heróis não foi aproveitada. Parece-nos que era esperado que eles fizessem aquilo que Jael realizou. Não sabemos exatamente o que aconteceu, mas certamente eles não foram à batalha por algum motivo mais comprometedor do que Rúben, Dã, Gileade e Aser.

Será que zombaram do Senhor e daqueles que foram à batalha? Será que tentaram fazer o mesmo que aqueles espias quando encheram o coração do povo de incredulidade (Números 13:25-14:12) para não irem à guerra? Pode ser que estivessem dizendo: “vocês não podem ir contra os carros de ferro de Jabim e Sísera, vocês serão totalmente derrotados”, desprezando assim a Palavra de ordem do Senhor avançarem contra o inimigo. Outra possibilidade é a de não terem crido na Palavra de ordem do Senhor e por medo não atenderam ao chamado para a batalha. Era tempo de adversidade mas, como havia uma promessa do Senhor de dar-lhes a vitória, eles deveriam ter ido em frente, entretanto ficaram imobilizados em si mesmos.

Esta situação nos lembra o que aconteceu com aquele servo que recebeu apenas um talento na parábola de Mateus 25. Os três eram servos, e cada um recebeu talentos de acordo com a própria capacidade para administrá-los. Dois servos receberam louvor do seu senhor, enquanto um deles, o que recebera um talento, por sua atitude errada recebeu um duro juízo.

Cada um de nós que creu no Senhor Jesus recebeu um dom do Senhor, uma capacidade para servi-lo. Como servos de Deus cada um de nós recebeu pelo menos um talento (leia Mateus 25:14-30 e 1 Pedro 4:10). A questão que está diante de nós agora é: o que temos feito com esta dádiva de Deus? Como temos respondido à graça de Deus? Oh, como precisamos, pela ajuda do Espírito Santo que em nós habita, ser diligentes em “negociar” o(s) talento(s) recebido(s) da parte de Deus.

Às vezes nos achamos tão insignificantes por termos apenas um talento. Dizemos para nós mesmos: "Eu tenho apenas um talento, aquilo lá é para alguns irmãos mais crescidos, eu não vou lá não, eu não sei pregar o evangelho”. Ou pensamos, “Eu não vou lá orar em favor daquela pessoa que está endemoninhada, isso é para aqueles irmãos que têm o ministério da libertação..." E vai por aí a fora. Várias desculpas. É o mesmo espírito daquele servo que tem um talento: "Receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu” (Mateus 25:25). E então a sentença do seu senhor: "Servo mal e negligente... Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez” (Mateus 25:26,28).

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e que no dia da Sua volta possamos ouvir a palavra “Muito bem, servo bom e fiel: foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei; entra no gozo do seu senhor” (Mateus 25:23). Quão terrível será aquela sentença, “E o servo inútil, lançai-o para fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25: 30). Será um tempo de disciplina, nas “trevas exteriores” (“fora do palácio iluminado” – sentido do texto no original), ou seja, fora do reino milenar do Senhor Jesus. E por quê? Porque o servo não utilizou aquela capacidade dada pelo Senhor para combater o bom combate, porque no tempo presente se omitiu em ser pelo Senhor. Lembremo-nos que o Senhor nos chama no tempo presente para combater o bom combate e para isso Ele já nos capacitou. Ele repartiu a cada um de nós uma medida de fé, uma medida de graça, dons do seu Espírito, tudo o que nos é necessário para, como Seus soldados, para participarmos da batalha.

Na linguagem do Novo Testamento os Merozitas não conservaram o que tinham e perderam a coroa (Veja Apocalipse 3:11). Eles tiveram a oportunidade de participarem da batalha em favor do Senhor, mas não a aproveitaram. E por isso receberam juízo sobre si mesmos.

Que contraste em relação a Jael. A sua atitude foi coroada de benção!

“Bendita seja sobre as mulheres Jael, mulher de Héber, o queneu; bendita seja sobre as mulheres que vivem em tendas” (Juízes 5:24).

Jael, provavelmente era uma pessoa simples, não alguém de renome, não era uma das valentes de Israel, nem mesmo era judia. Na verdade Jael e Héber seu marido tinham ainda vínculos com o rei Jabim (Juízes 5:17). Mas num momento crucial, ela tomou a decisão de passar para o lado do Senhor e Seu povo, rompendo os laços com aquele que era um inimigo declarado do povo de Deus.

Ela não tinha em sua tenda nenhuma arma especial para a guerra. De fato, ela não tinha qualquer arma! Mas num ato de fé, em favor do Senhor e do Seu povo ela destruiu o comandante do exército inimigo. Por causa disso, o seu nome ficou gravado eternamente pelo Espírito Santo como alguém que seria abençoada entre as mulheres.

Jael representa aqueles que por amor ao Senhor se identificam com o Seu povo e o Seu propósito. Representa aqueles que, embora não tenham muitos recursos em si mesmos – são até desprovidos de dons, de muitos talentos – aproveitam as oportunidades dadas pelo Senhor e se posicionam do lado do Senhor.

Tenho tido o privilégio de conhecer muitas pessoas que não estão entre aqueles que são reconhecidos publicamente, que parecem não ter dom algum, mas que aproveitam cada oportunidade dada pelo Senhor de agirem como verdadeiros soldados de Cristo. Estão sempre testemunhando da sua fé em Cristo para seus vizinhos, para seus colegas de trabalho. Mantêm uma vida oculta de oração com Deus em favor da igreja e daqueles que não conhecem ao Senhor. Não são ministros da Palavra, não tem nenhum “cargo” entre os irmãos com os quais congregam... Mas, como são frutíferas no reino de Deus!

A cada oportunidade dada pelo Senhor de o servirem, de se levantarem pela causa do Senhor, elas não se omitem! São como Jael. Embora não tenham as “ferramentas” adequadas para o serviço, mas na força do Senhor realizam o que lhes veio às mãos para fazerem.

Meu querido irmão e irmã: não despreze os pequenos começos! Não despreze o dom que há em ti, ainda que seja em pequena medida. Comece a servir ao Senhor na condição que Ele o constituiu. Assuma a sua posição como soldado de Cristo, ainda que aparentemente, aos olhos dos homens, você seja como Jael, sem qualquer condição para a guerra. Lembre-se, isso é apenas aparente, pois a Palavra de Deus afirma para você que as suas armas não são carnais mas poderosas em Deus para destruir fortalezas (2 Cor 10:4)!

Não espere até ter plenas condições para assim então servir ao Senhor. Alguns estão sempre postergando o dia em que vão servir ao Senhor. Dizem para si mesmos: “Quando eu me aposentar ai então terei mais tempo e vou servir ao Senhor...” Ou, “Vou me dedicar mais a estudar a Palavra de Deus e então vou começar a evangelizar as pessoas...” Ainda outro dirá, “Quando eu comprar um carro vou começar a visitar os irmãos que estão enfermos...”. Estão sempre esperando ter plenas condições para então fazerem alguma coisa para o Senhor. O resultado é que nunca fazem nada. Jael, não tinha nenhuma arma, mas utilizou-se de uma estaca e um martelo! Parece que o Senhor está dizendo a mim e a você: “Por que você se demora? Até quando você usará tantas desculpas?”

Débora cita em seu cântico a Sangar juntamente com Jael (Juízes 5:6). Ele também teve a mesma atitude de Jael. Com sua aguilhada de boi ele feriu a seiscentos filisteus e libertou a Israel! Imagine se Sangar estivesse esperando até arranjar uma espada apropriada para a guerra. Israel teria sido oprimido pelo inimigo! Mas louvado seja o Senhor, pois Ele foi poderoso para fazer da aguilhada de Sangar uma espada mais certeira e cortante do que qualquer outra existente!

Oh, meus amados companheiros de lutas, no combate a que somos submetidos, como nos lembra o testemunho das Escrituras, o Senhor é poderoso para ajudar-nos a “da fraqueza tirar forças” (Hebreus 11:34)! Deus é poderoso para transformar aquelas coisas insignificantes aos olhos dos homens em verdadeiras realizações. Você se lembra de quantas pessoas o Senhor alimentou através daqueles dois peixes e cinco pães que um jovem apresentou a Ele? Você se lembra do que Moisés pôde realizar em nome do Senhor tendo apenas uma vara na mão? E também de Sansão que com uma queixada de jumento tantos inimigos ele venceu? Você se lembra com o que Davi venceu a Golias? Todos esses venceram, realizaram algo para o Senhor, porque não se omitiram, mas se apresentaram em confiança e fé ao Senhor com o que eles tinham disponível em mãos! E o Senhor era com eles!

“Dê a Ele o que você tem, seja fiel onde você estiver, faça o que você puder e o mais Ele fará” – A. B. Simpson

Meus queridos, o dia chegará quando os nossos nomes serão lembrados diante do Senhor. Que a nossa oração, fé e conduta, sejam para que eles estejam registrados juntamente com os de Jael, Débora, Baraque e dos valentes do Senhor! Que o Senhor nos livre de termos os nossos nomes gravados juntamente com os dos erozitas, dos Rubenitas, dos Aseritas, dos Gileaditas e dos Danitas.

"Assim, ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos! Porém os que te amam brilham como o sol quando se levanta no seu esplendor” (Juízes 5:31)

NAquele, que é capaz para nos conduzir a tirar forças da fraqueza e a sermos poderosos na batalha,

BP
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25/12/2007

Batalha Espiritual - E não foram à guerra...

Buscaram os seus próprios interesses e não foram à guerra...

Quando toda guerra acabar a pergunta será: como nos comportamos nesse tempo de batalha?

Vimos na postagem anterior que Débora e Baraque olham para trás e num cântico profético lembram de como cada um se comportou no tempo da batalha. Consideramos até aqui aqueles que participaram da guerra do Senhor. Esses foram lembrados com louvor. Entretanto, outros foram lembrados com tristeza e reprimenda. Queremos considerar a situação destes últimos agora.

Como já mencionamos anteriormente, temos nesse cântico de Débora uma figura daquilo que ocorrerá um dia, quando todos nós nos apresentarmos diante do tribunal de Cristo. Ali receberemos o louvor ou a reprimenda por aquilo que fizermos durante esse tempo presente (2 Coríntios 5:10, Mateus 25:14-30).

Não nos alegra descrever essa parte do cântico de Débora. Mas como ela é necessária! A Palavra do Senhor sempre nos exorta: encorajando-nos e advertindo-nos. Podemos dizer que até aqui, tivemos uma palavra de encorajamento, mas a nossa reflexão agora, seguindo o que está registrado no cântico de Débora, leva-nos a uma palavra de advertência. Que o Senhor possa, pelo Seu Espírito, acordar-nos para o momento presente em que vivemos e que possamos assumir a nossa responsabilidade nessa questão da batalha espiritual, principalmente no aspecto corporativo.

Por que alguns não foram à peleja junto aos demais dos filhos de Israel?

O primeiro que é mencionado é Rúben. Não foi à guerra porque ficou cuidando dos seus próprios interesses!

"Nas correntes de Rúben foram grandes as resoluções de coração. Por que ficaste tu entre os currais para ouvires os balidos dos rebanhos? Nas divisões de Rúben tiveram grandes esquadrinhações do coração”. (v. 5:15b-16 – Versão Revista e Corrigida)

Houve grande esquadrinhamento de coração entre os Rubenitas. Eles estavam lá pensando, refletindo sobre a batalha e houve grandes decisões em seus corações. Há algumas traduções que dizem que eles fizeram grandes projetos. Eles ficaram sabendo que seus irmãos estavam na peleja contra um grande opressor dos filhos de Israel, e então se planejaram em como poderiam ir à peleja. Fizeram grandes projetos de como iriam e ajudariam seus irmãos. Mas não foram! Permaneceram cuidando dos seus interesses.

Muitos de nós ainda estamos como os Rubenitas. Nesse tempo de guerra, ficamos apenas nas decisões, nos projetos, no esquadrinhamento de coração, mas nunca colocamos em obra aquilo que decidimos. Eles resolvem em seus corações, mas não tomam nenhuma atitude. São aqueles que gostam de estudar tudo sobre batalha espiritual, mas nunca entram na batalha por si mesmos ou em favor dos demais do povo de Deus! Gostam de coisas do tipo, “10 passos para alcançar a vitória”, ou “10 passos para vencer o pecado”. Sabem muitas coisas a respeito da batalha espiritual, mas apenas de ouvir falar. Falam e exortam uns aos outros de que é necessário batalhar em oração por tais e tais assuntos, mas nunca colocam em prática aquilo que proclamam. Estão muito bem informados da realidade espiritual, mas apenas no campo teórico. Ainda não conheceram o que é estar no campo da batalha.

Os Rubenitas de hoje, são como muitos de nós que fazem grandes resoluções de fim de ano. Conhecemos as nossas próprias necessidades espirituais, e por isso decidimos que no ano que se inicia faremos muitas coisas. Fazemos muitos planos: “vou dedicar-me à vida de oração nesse ano”, “esse ano não vou mais praticar aquele pecado”, “vou me esforçar na pregação do evangelho, quero ganhar pessoas para o Senhor nesse ano...” a lista é grande. Muitas e boas decisões! Mas todas ao final, ficam no vazio! Nada é realizado em favor do Senhor e do Seu povo.

Oh amados, grandes resoluções ou grandes decisões não bastam! Não é suficiente apenas “esquadrinhamentos de coração”. Não podemos ter apenas os grandes conceitos ou princípios espirituais na nossa mente, ou ainda um grande vocabulário espiritual. Não! É necessário, pela ajuda do Espírito do Senhor, colocarmos por obra aquilo que sabemos ser a vontade de Deus. A guerra está acontecendo e sabemos que o Senhor nos chama para sermos participantes dela. Muitas vezes decidimos ir, mas acabamos ficando. Por que? Nos é dito de Rúben que ele não foi à guerra porque “ficou entre os currais para ouvir os balidos dos rebanhos”.

“Oh, que coisa louvável”, poderíamos, justificar. Parece-nos que os Rubenitas estavam se mostrando responsáveis com suas casas, suas famílias. Eles ficaram cuidando das ovelhas, buscando o seu sustento. Mas, meus queridos, em tempo de batalha ficar escutando o balido das ovelhas é preocupar-se com nossos próprios interesses. Muitas coisas estavam acontecendo; o inimigo de Deus estava oprimindo duramente, mas os Rubenitas estavam cuidando das suas coisas. Os “Rubenitas atuais” são assim: tomam a decisão, mas tem em seguida uma desculpa para não irem. Uma desculpa para “apaziguar” suas consciências. Percebem as lutas que os filhos de Deus estão travando, mas encontram uma desculpa para não participarem da batalha e justificam a si mesmos.

A pergunta feita a Rúben foi: “Por que ficaste tu entre os currais para ouvires os balidos dos rebanhos”? E porque foi feita essa pergunta a ele? Por que Rúben não devia ter ficado escutando o balido das ovelhas, mas ele devia estar lá no monte escutando o toque da trombeta. Quanta diferença! Muitos de nós temos às vezes grandes decisões, mas nunca as colocamos por prática. Às vezes nós estamos tão preocupados com nossos próprios interesses que esses nos impedem de participarmos da batalha do Senhor. Paulo, escrevendo aos Filipenses, diz que muitos buscavam os seus próprios interesses, e não aquilo que era de Cristo Jesus, mas que Timóteo, sinceramente, buscava os interesses dos irmãos! (Filipenses 2:20-21)

Quantas vezes podemos estar ouvindo o balido das “nossas ovelhas”, enquanto a trombeta de Deus tem soado chamando os seus filhos para a batalha. A batalha a favor dos nossos filhos tem sido travada, o inimigo tem buscado tirá-los da vida com Deus, mas nós nos entregamos aos nossos interesses e nem mesmo no nosso secreto batalhamos em oração em favor deles. A igreja do Senhor tem estado em grande apostasia, em grande mistura daquilo que é verdadeiro com a mentira, mas nos silenciamos, até pensamos em ter uma vida de oração em favor do povo de Deus, mas finalmente ficamos envolvidos nos nossos interesses e não temos tempo para participarmos nessa batalha.

A trombeta está soando! Que o Espírito do Senhor nos desperte para irmos à batalha e deixamos as “nossas ovelhas” nas mãos daquele que pode guardá-las para cada um de nós.

Que o Espírito do Senhor nos ajude, e que naquele dia no tribunal de Cristo, o Senhor não nos chame a atenção: "você teve grandes decisões, grandes projetos, mas por que não foi à batalha? Por que escolheu ficar ouvindo a voz dos seus próprios interesses?”

O segundo a ser citado é Gileade. Não foi à guerra por causa dos obstáculos naturais!

“Gileade ficou dalém do Jordão...” (Juízes 5:17)

Para que os Gileaditas fossem ao monte Tabor, de onde os filhos de Israel saíram para a guerra, eles deveriam atravessar o Jordão.

Creio que o registro do Rio Jordão aqui é para nos lembrar que muitas vezes podemos deixar de ir ao campo de batalha junto com os nossos irmãos porque nos justificamos em decorrência de obstáculos naturais. “Atravessar o Jordão” para muitos de nós pode ser trabalhoso e se ele estiver na cheia pode até mesmo ser perigoso. E por isso então, da mesma forma que os Rubenitas, os Gileaditas encontram algo para apaziguarem suas consciências se desculpando por terem à sua frente algum obstáculo natural. Mas o verdadeiro motivo é que nos seus corações de fato não desejavam ir a guerra. Quanta diferença entre eles e Zebulom e Naftali. Esses últimos expuseram as suas vidas correndo grandes riscos, mas foram à batalha e venceram! Entretanto, os Gileaditas são lembrados aqui de modo negativo.

É muito comum, mesmo nas questões pequenas do nosso dia-a-dia, colocarmos muitos obstáculos naturais para não estarmos identificados com o propósito do Senhor. Tome como exemplo as vezes que temos diante de nós as reuniões do povo de Deus, seja para lembrar do Senhor no partir do pão, ou de oração ou mesmo para estudo da Palavra. Às vezes colocamos os obstáculos naturais como desculpa para não participarmos dessas reuniões. Se começa a chover, ou se o frio aumenta, é suficiente para deixarmos de participar e ficamos no conforto das nossas casas. Outras vezes estamos trabalhando muito e o nosso dia é tão atarefado que nos sentimos cansados fisicamente e por isso decidimos ficar em nossas casas, e perdemos a oportunidade de sermos abençoados e fortalecidos.

Deixamos de batalhar as batalhas do Senhor por causa de obstáculos naturais. Temos conhecido muitos dos filhos de Deus que ao contrário dessa situação, mesmo em momentos de debilidade física, e a despeito de todo e qualquer obstáculo natural, ainda assim são verdadeiros soldados do Senhor Jesus. São incansáveis na pregação do evangelho, nas vigílias, nos jejuns, nas orações, “combatendo o bom combate”. Para esses vale a palavra do Senhor: “aos que me honram, honrarei”, mas para aqueles que ficam aquém do “Jordão”, a palavra do Senhor é “porém os que me desprezam serão desmerecidos”. (1 Samuel 2:30)

Que o Senhor nos dê um coração disposto a atravessar o “nosso Jordão” e nos identificarmos com o Seu propósito e estarmos juntos no campo de batalha com aqueles que ouviram o toque da trombeta!

"Dã, por que se deteve junto a seus navios?" (v. 5:17)

Navio nos lembra de comércio. Trazer mercadoria, levar mercadoria, transações comerciais. E essa foi a razão que impediu Dã.

Dã nos lembra aqueles que não vão ao campo de batalha por causa do dinheiro.

Este é um motivo que tem levado muitos do povo de Deus a não participarem do propósito do Senhor, e não irem ao campo de batalha. Mamom tem roubado o coração de muitos dos filhos de Deus.

Amados, essa situação terrena de busca de riqueza, busca de uma vida confortável, tem oprimido o povo de Deus impedindo-o a combater o bom combate. E quantos têm naufragado na fé! Paulo adverte a Timóteo quanto a esse risco: “Tendo sustento e com o que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. (2 Timóteo 6:8-10)

Há muitos santos de Deus que estão bem na carreira cristã, mas de repente não vigiam, e eis que surge esse tirano: desejo das riquezas! Desejam ter uma casa melhor, um carro do último modelo... Não há nada injusto nisso em si mesmo. Mas isso se torna um tirano em seus corações. Os seus corações ficam sobrecarregados com os cuidados dessa vida (Lucas 21:36). Por isso, eles têm que trabalhar mais. Ao invés de estar com a família, ao invés de estar lendo a Palavra, buscando ao Senhor, eles estão lá, trabalhando muito, pois querem ganhar um pouco mais de dinheiro. Alguns já têm um emprego, mas eles também precisam do segundo, e do terceiro. Essa é a situação: “Por que se deteve junto aos seus navios”?

Como essa palavra é tão atual para nós! Por que se deteve? Na verdade é justo e correto ter os nossos navios, eles são o suprimento de Deus para nós. É o nosso trabalho, os nossos negócios, mas a palavra de advertência é porque nos detemos neles. Porque o nosso coração está preso neles? Porque eles se tornam um impedimento para que participemos no campo de batalha e assim experimentemos a vitória que o Senhor quer nos dar? Quão perigoso é esse deter nos nossos navios. Alguns participavam das reuniões da igreja, evangelizavam, visitavam os enfermos, tinham uma vida de oração, mas agora eles não têm tempo para nada além dos seus negócios. Estão muito preocupados com as suas riquezas, os seus bens, a sua vida confortável, com aquilo que o seus ganhos podem gerar.

Que tragédia tem sido isso no meio do povo de Deus. Quantos irmãos sinceros têm se deixado seduzir pelos seus navios. Quanto prejuízo espiritual tem acontecido por causa disso.

Ouçamos a palavra do Senhor Jesus: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus 6:33)

"Aser se assentou nas costas do mar, e repousou nas suas baías”.(v. 5:17)

Os Aseritas não foram à guerra por estarem preocupados com o seu próprio conforto!

Repousaram nas suas baías”. Esta atitude dos Aseritas representa aqueles que, mesmo no tempo de guerra, estão preocupados com o seu próprio conforto.

Quão diferente era a atitude do nosso Senhor! Quão incansável era ele. E ele mesmo nos deu o Seu testemunho de que o “Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). O Filho do Homem somente pode descansar depois de completada a sua carreira. Depois do brado da cruz – “está consumado!” – é que ele pode descansar. Durante toda a sua vida não buscou seu próprio conforto, mas pelo contrário, “andou por toda a parte fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” (Atos 10:38). A sua compaixão o movia em favor das multidões e junto com os seus discípulos “eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham” (Marcos 6:31).

Paulo também, no mesmo espírito do Senhor Jesus, desenvolveu a sua carreira. O testemunho dele foi de que ele como ministro de Cristo, passou por tantas coisas, como perigos de morte, acoites, trabalhos e fadigas, vigílias, fome, sede, jejuns, frio, nudez... (veja 2 Coríntios 11:23-33). Passou por tantas coisas por amor ao Senhor e ao Evangelho! Nunca foi atrás do seu próprio conforto! Nunca “assentou-se nas costas do mar, e repousou nas suas baías”! Mas ao contrário, escutou o toque da trombeta e como soldado de Jesus Cristo combateu o bom combate!

Queridos irmãos, certamente gostamos do nosso conforto. É justo. Mas esse nosso conforto não pode nos impedir de nos identificarmos com o propósito do Senhor e avançarmos naquilo que é a Sua vontade para as nossas vidas e para o Seu povo.

Quem sabe não é o momento de fazermos a “indagação de uma boa consciência para com Deus” (1 Pedro 3:21). Será que a busca do nosso próprio conforto tem sido a motivação para não participarmos da batalha do Senhor?

O Senhor através do profeta Amós advertiu o povo nesse sentido: “Ai dos que andam a vontade em Sião...que dormis em camas de marfim, e vos espreguiçais sobre o vosso leito, e comeis os cordeiros do rebanho e os bezerros do cevadouro; que cantais à toa ao som da lira e inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos; que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente óleo, mas não vos afligis com a ruína de José” (Amós 6:1, 4-6).

Rúben, Gileade, Dã e Aser, foram lembrados nesse cântico de Débora por que não foram à batalha pois estavam muito preocupados consigo mesmos. Que o Senhor nos ajude e nos livre de cairmos em mesma situação!

Em Cristo, aquele que não buscou agradar a si mesmo, mas por todos nós se entregou,

BP

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Abaixo seguem os links para as demais postagens dessa série:
Batalha espiritual
O ressurgimento de inimigos vencidos no passado
O primeiro passo no caminho da vitória
A Palavra de ordem do Senhor
Experimentando plena vitória
O Cântico de vitória e os vencedores
E não foram à guerra...
Recebendo benção ou maldição