10/12/2007

Batalha Espiritual - O Cântico de Vitória e os Vencedores

“Naquele dia cantaram Débora e Baraque...” (Jz 5:1)

Caríssimos:

Na nossa meditação até agora procuramos mostrar alguns princípios básicos na questão da batalha espiritual. De um modo geral procuramos nos ater àquelas verdades emanadas da Palavra de Deus concernentes a como nos portar nesse tempo de guerra seja contra a carne, o mundo ou o diabo.

Em Juízes 4, Débora olhava a batalha numa perspectiva futura. Mas em Juízes 5, o seu olhar volta-se para o passado, para o que aconteceu durante o tempo da batalha.

Como mencionamos em postagens anteriores, temos nesse capítulo 5 uma figura muito viva do que acontecerá no tribunal de Cristo. Naquele dia, diante do Senhor, em uma grande reunião da família de Deus, Ele irá relembrar a situação de cada um de nós, de como nos comportamos durante o tempo presente de batalha. E naquele dia cada um de nós receberá do Senhor o Seu elogio ou a Sua reprimenda.

Entretanto, antes de prosseguirmos, deixe-me apenas colocar alguns pontos importantes a respeito dessa verdade tão crucial para os filhos de Deus, mas tão pouco pregada e ensinada que é o “tribunal de Cristo”. Não darei o fundamento do que afirmarei a seguir. Talvez faça isso num momento futuro caso venhamos a tratar especificamente sobre a volta do nosso Senhor Jesus. Mas, caso você tenha alguma dúvida no que afirmarei e queira a fundamentação, você pode mencionar isso nos comentários no final dessa postagem ou encaminhar-me um e-mail que responderei da melhor forma que eu puder.

Na volta do Senhor Jesus, antes de ser inaugurado o Seu reino milenar (Ap 20:1-6), acontecerá nos ares o tribunal de Cristo, no qual todos nós – somente os filhos de Deus, os salvos, os remidos pelo sangue do Senhor Jesus – vamos comparecer (2 Cor 5:10). Nesse tribunal as obras dos cristãos – e não os cristãos­ – serão julgadas, serão provadas (1 Cor 3:12-15) por aquele que tem os olhos como chama de fogo (Ap 1:14). Enquanto os cristãos comparecerão diante desse tribunal antes do reino milenar, os incrédulos comparecerão diante do trono branco ao final desse reino (Ap 20:11-15).

Nesse tribunal serão concedidos os galardões para aqueles que permanecerem fiéis ao Senhor no tempo presente. Entretanto, há a possibilidade de um crente genuíno perder privilégios reservados para ele na volta do Senhor, muito embora a sua salvação eterna esteja assegurada. Como nos diz em 1 Cor 3:15 “...sofrerá ele dano, mas esse mesmo será salvo, todavia como que através do fogo”.

Na verdade, o maior privilégio que será concedido ao cristão no tribunal de Cristo é poder reinar com Ele no seu reino milenar. Por isso as Escrituras nos advertem: “...desenvolvei a vossa salvação com tremor e temor” (Fp 3:12). Tudo aquilo que não tenhamos tratado diante do Senhor no tempo presente, e que não tenha sido confessado e apagado pelo sangue do Senhor Jesus, aparecerá naquele dia. As Escrituras nos exortam a acertarmos os nossos caminhos hoje com o Senhor, nunca amanhã. Como por exemplo, nos é dito para não se por o sol sobre a nossa ira (Ef 4:26), ou seja, não podemos deixar acabar o dia sem resolver essa questão diante do Senhor.

Ah, meus queridos, quantas coisas terríveis muitos dos filhos de Deus carregam por tantos anos e nunca acertam diante do Senhor. Quantas desavenças entre irmãos em Cristo que nunca são acertadas, nunca há o perdão mútuo. Certamente quando o Senhor voltar tudo será trazido à luz. Hoje, agora, é o tempo de acerto! Aquilo que o sangue do Senhor apagar de modo algum irá aparecer no tribunal de Cristo. Por isso João, o apóstolo, nos exorta em sua carta dizendo “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados” (I Jo 2:28).

Como temos nos comportado no tempo presente da batalha? Veremos que no cântico de Débora há algumas pessoas que são lembradas com elogio e outras com reprimendas e até sendo amaldiçoadas! Você se lembra da parábola dos talentos em Mateus 25? Houve servos que foram elogiados pelo seu senhor e outro que foi repreendido e amaldiçoado. Ó, quão sério é isso! Isso é um quadro do que acontecerá no tribunal de Cristo. Que o Senhor pela Sua graça e misericórdia nos ajude no tempo presente.

O cântico de Débora é o cântico dos vencedores! Daqueles que estiveram no campo de batalha e experimentaram a vitória. Ninguém pode cantar esse cântico a não ser um vencedor. Não é o cântico da nossa salvação. Não é a alegria da salvação que está sendo celebrada, mas o regozijo pela vitória que o Senhor nos concedeu no campo de batalha.

Quando o povo de Israel atravessou o Mar Vermelho, eles também cantaram um cântico. Mas esse cântico de Moisés nos aponta para o cântico da redenção. O povo de Deus foi redimido, foi tirado do Egito. Todo o povo, todos os filhos de Israel, puderam entoar esse cântico. Da mesma forma todos os filhos de Deus participam do cântico da redenção. Mas, um cântico como o que Débora entoou, somente pôde cantar aqueles que estiveram no campo de batalha e experimentaram a vitória.

Você se lembra daquela situação que Paulo e Silas passaram? Depois de pregarem a Palavra de Deus experimentaram oposições terríveis, mas apesar disso permaneceram numa posição de vitória! Foram encarcerados, mas à meia-noite entoavam louvores ao Senhor. Não sei quais louvores eles entoavam. Talvez Salmos, ou até mesmo cânticos espirituais que o Senhor tenha dado a eles... ah, mas com toda certeza eram louvores de vitória! Os cânticos dos vencedores!

Somente Paulo e Silas poderiam cantar aqueles cânticos naquele momento. E como esses louvores soaram bem aos ouvidos dAquele que nos conduz à vitória. Tanto é assim que quando Paulo e Silas louvavam, o Senhor manifestou a Sua aprovação, a Sua aceitação daqueles cânticos, rompendo as suas cadeias. É maravilhoso quando podemos entoar ao nosso Deus cânticos assim! Na nossa vida, no dia a dia, há muitas vitórias que experimentamos e quando isso acontece temos um cântico diante de Deus. O fruto da vitória será um cântico de louvor ao nosso Deus!

No momento da batalha pode ser tão difícil a situação, tão terrível muitas vezes. Mas depois que termina, podemos olhar para trás e ver os feitos do Senhor por nós e os Seus livramentos. Vemos que o nosso Deus é o Senhor dos Exércitos! Ele é a nossa fortaleza, a nossa rocha. Ó, bendito seja o Senhor!

Débora, depois de terminada a batalha, olha para trás e junto com Baraque cantam esse cântico profético. Apesar de ser um cântico rico em muitos detalhes, desejo apenas considerar com você aquelas pessoas que são lembradas nele. E quero aproveitar para salientar mais os aspectos da batalha espiritual corporativa ao invés dos aspectos individuais do nosso combate como salientamos na meditação do capítulo 4 de Juízes.

Vamos considerar primeiro aqueles que foram lembrados com elogio.

"Zebulom é povo, que expôs a sua vida à morte, como também Naftali, nas alturas do campo." (5:18)

Zebulom, junto com Naftali, estiveram na batalha e expuseram suas vidas. No capítulo doze de Apocalipse nos fala daqueles que venceram o inimigo. Diz que “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12:11).


Isso nos faz lembrar das palavras do Senhor Jesus: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á” (Lc 935). Essa vida aqui se refere a vida da alma. A palavra traduzida em Lucas e em Apocalipse por vida é a mesma: alma. O que isso nos quer dizer? Está relacionado a negarmos a nós mesmos. A vida da nossa alma (vontade, emoção e mente) deve ser negada para que a vontade, mente e emoção de Cristo se manifeste em nós. Isso significa que seremos como “fantoches” sem qualquer vida? Não! Em absoluto! Mas significa que toda vez que a minha alma estiver em confronto com Deus, eu devo negar a mim mesmo e aceitar aquilo que é de Deus. Como o nosso próprio Senhor Jesus fez: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim a tua” (Lc 22:42). Nesse momento o Senhor estava negando a si mesmo. A vontade do Pai é que deveria prevalecer.

Uma das razões porque nossos irmãos venceram o inimigo, como nos é testemunhado em Apocalipse, foi porque não amaram as suas próprias vidas. Na batalha espiritual, se queremos experimentar a vitória, esse também deve ser um caminho trilhado por nós: negarmos a nós mesmos e tomarmos a cruz.

Zebulom e Naftali foram convocados para a batalha e prontamente atenderam ao chamado. Como precisamos de “Zebulons” e “Naftalis” nesses dias de hoje! Quantas coisas têm levado o povo de Deus em cativeiro. Como o mundo tem feito cativo o povo de Deus. Quanta religiosidade entre o povo do Senhor! Uma religiosidade que mantém os filhos de Deus cativos por aquilo que é produzido pelo homem e não pelo Espírito Santo!

Oh, como precisamos de soldados de Cristo que ergam as suas “espadas” pelo Senhor e pelo Seu povo. Soldados que tomem a Palavra de Deus, que é a espada do Espírito, para combater tudo aquilo que pertence às trevas e tem se levantado como verdadeiras fortalezas do inimigo impedindo que os crentes em Jesus Cristo vivam na liberdade dos filhos de Deus! (Gal 2:4). Judas escreveu sua carta, exortando-nos a batalharmos “diligentemente pela fé que uma vez por todas foi dada aos santos” (Jd 3). Que o Senhor nos dê muitos Zebulons e Naftalis para com amor ao Senhor e aos irmãos, negando a si mesmos, não buscando agradar a homens e a si mesmos, mas a Deus, combaterem o bom combate!

Nessa batalha contra “Jabim” – os nossos próprios interesses, a nossa própria sabedoria, as riquezas, tudo aquilo que é terreno – nós precisamos ter essa atitude de não amarmos a nós mesmos, não amarmos a vida da alma. Devemos perdê-la (negar a nós mesmos e tomarmos a cruz), para depois ganhá-la quando o Senhor voltar. Naquele dia, quando estivermos face a face com o Senhor, vamos ganhar, seremos recompensados. Cantaremos diante do Senhor o cântico de vitória. Ali no tribunal de Cristo serão lembrados aqueles que venceram, aqueles que não amaram as suas vidas, assim como Zebulom e Naftali são lembrados nesse cântico de Débora e Baraque.

Naftali e Zebulom foram convocados para a batalha. Eles tinham a responsabilidade direta de Deus com relação àquele assunto. Entretanto, houve outros que se ofereceram. Eles não foram convocados, mas se ofereceram voluntariamente (v. 5:2) e foram elogiados por isso. Efraim, Benjamim, Maquir e Issacar foram lembrados, pois se identificaram com Débora, Baraque, Zebulon e Naftali e também foram à batalha.

Como isso nos indica a importância para cada um de nós nos identificarmos com as lutas dos nossos irmãos e irmãs em Cristo! De fato, muitas vezes eles é que são convocados diretamente para a batalha, mas devemos nos juntar a eles em seu socorro.

Para elucidar o que quero dizer, pense nas situações em que os irmãos com os quais você convive enfrentam. Por exemplo, uma família pode estar passando por uma tremenda luta com um filho que está envolvido em drogas. Quanta luta para essa família! O combate é terrível em todos os sentidos. E o que fazemos nesse caso? Podemos simplesmente olhar e ficar de longe assistindo o sofrimento daquela família. Mas porque você ama aos irmãos e ao Senhor você se identifica com essa família e vai em seu socorro nessa batalha. Como? No mínimo orando sinceramente por aquele filho e por aqueles pais! Oferecendo o seu amor e simpatia para com aqueles pais no seu sofrimento, encorajando-os a permanecerem firmes no Senhor aguardando o livramento da parte de Deus para o seu filho. Ou pode ser que você se sentirá movido pelo Espírito de Deus a oferecer as suas súplicas em favor daquele jovem com oração e jejum. É apenas um exemplo, mas o fato é que você se identificará com aqueles que precisam de socorro na batalha e o Espírito de Deus lhe guiará no que fazer.

Mas esse fato dessas tribos terem se oferecido voluntariamente para estarem na Batalha junto com aqueles que foram convocados, nos lembra também de que em toda a história da igreja tem acontecido da mesma forma. Há algumas batalhas do Senhor pelo Seu povo que precisam ser travadas. E geralmente o Senhor levanta alguns “juízes” como Baraque, e muitos se oferecem voluntariamente para estarem no campo de batalha juntamente com eles.

Pense no caso da Reforma. Deus levantou a Martinho Lutero para restaurar a verdade da justificação pela fé. Todo o inferno se levantou contra, mas nessa batalha do Senhor, muitos se ofereceram voluntariamente e abraçaram essa causa expondo literalmente as suas vidas por amor ao Senhor e à Sua verdade! Todas essas pessoas que se lembraram do Senhor e participaram dessa batalha serão lembradas com louvor diante do tribunal de Cristo. Os seus nomes estão registrados em um memorial eterno diante de Deus! (Mal 3:16). O Senhor sempre se lembrará deles!

E foi assim em vários períodos da história da igreja. Em cada mover do Espírito Santo em períodos distintos, muitos se identificaram com a causa do Senhor e se uniram na batalha pelo Senhor e pelo Seu propósito para aquele momento específico. Foi assim na Reforma, no movimento da vida interior, no movimento de santidade, no movimento mais conhecido como os irmãos de Plymouth - “Plymouth Brethren” (eles começaram a se reunir apenas no nome do Senhor e foram usados por Deus para restaurarem a verdade da igreja como o corpo de Cristo e muitas outras verdades).

Todos que se identificaram com a causa do Senhor foram vencedores num período tão difícil para eles. Muitas verdades de Deus foram restauradas e nós as desfrutamos no tempo presente por causa desses valentes que o Espírito Santo levantou para batalhar as guerras do Senhor! Os seus nomes serão eternamente lembrados pelo Senhor.

No Novo Testamento você também encontrará muitos registros nesse sentido. Registros daqueles que por causa do amor ao Senhor e aos irmãos combateram o bom combate! Pense em Paulo, o apóstolo. Deus o chamou para um ministério, mas para realizá-lo ele experimentou muitas lutas. E o Espírito Santo deixou registrado na Palavra de Deus, as Escrituras eternas, o nome de alguns que foram em socorro de Paulo. Por exemplo, nos é dito que Priscila e Áquila, cooperadores de Paulo em Cristo Jesus, pela vida de Paulo, arriscaram a sua própria cabeça (Rm 16:3-4). Se uniram a Paulo na batalha pelo Senhor e pelo evangelho.

Louvado seja o Senhor por todos os santos de Deus de todas as épocas que batalharam as guerras do Senhor! Que o Espírito Santo possa levantar muitos soldados de Cristo nos dias em que vivemos!

Continuaremos na próxima postagem, se o Senhor nos permitir.

NAquele que coloca em nossos lábios um cântico de vitória,

BP
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Abaixo seguem os links para as demais postagens dessa série:

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3 comentários:

Anônimo disse...

Amén hermanos. Que seamos fortalecidos a través de este blog, y semaos preparados para servir al Señor como soldados útiles. Que el Señor bendiga a todos aquellos que pasan y beben de estas aguas refrescantes, que sea Cristo formado en cada uno ( y en todos), que seamos vestidos con la armadura celestial, y animados para permanecer firmes en El. Gracia y paz, de Dios y de nuestro señor Jesucristo.
Un abrazo querido hermano Billy!

BP disse...

Querido irmão (Anônimo): obrigado pelas palavras de encorajamento e pelo abraço fraterno. O recebo com alegria! Seja o Senhor contigo e o abençõe!
BP

divanete disse...

Glorias a deus pois sua palavra é viva e eficaz, estava procurando uma confirmação do Senhor e Ele me entregou este texto, que Deus continue a te usar para o Louvor d'Ele mesmo.
Divanete